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Operação Puro Engano investiga tráfico de mulheres e exploração sexual no Oeste do Paraná

PF cumpre cinco mandados em Missal, São Miguel do Iguaçu e Itaipulândia; três paraguaias em situação migratória irregular foram encontradas e um homem acabou preso por posse ilegal de arma

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (25) a Operação Puro Engano, que investiga um suposto esquema de tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual no Oeste do Paraná. A ação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão, sendo dois em Missal, dois em São Miguel do Iguaçu e um em Itaipulândia.

Segundo as investigações, mulheres em situação de vulnerabilidade social seriam atraídas no Paraguai e na Argentina com falsas promessas de trabalho e remuneração. Depois, seriam transportadas clandestinamente pela região de fronteira e encaminhadas para estabelecimentos onde, conforme os indícios levantados pela PF, poderiam ser submetidas à exploração sexual.

Três paraguaias são encontradas durante a operação

Durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais localizaram três mulheres paraguaias em situação migratória irregular em um dos estabelecimentos vistoriados.

As mulheres foram identificadas e ouvidas pelas equipes. O Consulado do Paraguai e a assistência social municipal foram acionados para prestar orientação e auxiliar nos procedimentos necessários para a regularização da situação migratória.

A operação também resultou na prisão de um homem por posse ilegal de arma de fogo.

Mulheres chegariam aos estabelecimentos já endividadas

De acordo com a investigação, um suposto agenciador seria responsável por realizar o transporte das mulheres pela fronteira utilizando veículos com placas estrangeiras. Cada viagem teria um custo aproximado de R$ 300.

Ainda segundo os investigadores, embora inicialmente o valor fosse pago pelos proprietários dos estabelecimentos, posteriormente a quantia seria transformada em dívida das próprias mulheres. Dessa forma, elas já iniciariam as atividades com valores a pagar e permaneceriam submetidas à cobrança.

As investigações também apontaram indícios de que seriam aplicadas multas de até R$ 1 mil quando determinadas regras impostas pelos responsáveis pelos estabelecimentos não fossem cumpridas.

Investigação começou após desaparecimento de jovem

A apuração teve início após autoridades argentinas comunicarem o desaparecimento de uma jovem estrangeira em situação de vulnerabilidade na região de fronteira.

As informações foram compartilhadas entre os países por meio do Comando Tripartite. Em novembro de 2025, policiais federais localizaram a jovem no interior de uma casa noturna situada na zona rural de Missal.

A partir desse caso, os investigadores passaram a reunir novas informações que indicaram a possível existência de uma estrutura organizada para trazer mulheres estrangeiras ao Brasil com a finalidade de exploração sexual.

Possíveis crimes são investigados

Os envolvidos são investigados por possíveis crimes relacionados a tráfico de pessoas para exploração sexual, manutenção de casa de prostituição, rufianismo e favorecimento da prostituição ou exploração sexual de criança, adolescente ou pessoa vulnerável.

A investigação também apura a possível promoção de migração ilegal. Conforme informado pela Polícia Federal, o artigo 232-A do Código Penal prevê pena de dois a cinco anos de reclusão para quem promover, por qualquer meio, a entrada ilegal de estrangeiro em território nacional ou a saída do país para ingresso em território estrangeiro.

Nome da operação faz referência às falsas promessas

O nome “Puro Engano” faz referência, segundo a Polícia Federal, às supostas falsas promessas de trabalho e remuneração utilizadas para atrair mulheres em situação de vulnerabilidade para o Brasil.

As investigações continuam com o objetivo de identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer a extensão do esquema.

As suspeitas apresentadas nesta matéria são objeto de investigação e não representam condenação dos investigados.

Fonte/ Catve / Cafelândia Notícias