Internacional

Papa divulga mensagem no Dia Mundial da Alimentação

O papa Leão XIV já retomou as atividades diárias, celebrou missa no Hospital Gemelli e recebeu
representantes da Secretaria de Estado do Vaticano. A agenda oficial continuará suspensa até 20
de outubro, enquanto a equipe médica acompanha a recuperação e avalia a possibilidade de
retomada dos compromissos previstos para as próximas semanas.

A radiografia do tórax, realizada nesta sexta-feira (16), confirmou boa recuperação do
pulmão operado para remoção de um adenocarcinoma pulmonar, em13 de outubro.
Os exames de rotina apresentam resultados dentro da normalidade e, segundo a equipe médica
coordenada por Luigi Carbone e Stefano Margaritora, especialista em cirurgia torácica, “a
evolução pós-operatória segue normalmente”.

Ontem, o pontífice já tinha feito exames de rotina, concelebrado missa numa sala preparada no
décimo andar do hospital e participado de sessão de fisioterapia, com exercícios motores
completos.

Na segunda-feira (12), um dia antes de ser internado, Leão XIV deixou escrita uma
mensagem sobre o Dia Mundial da Alimentação, comemorado hoje.

No texto, dirigido ao diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e
a Agricultura (FAO), Qu Dongyu, ele considera que a persistência da fome, num mundo
marcado pelo progresso tecnológico, representa “profunda crise antropológica e ética”.

O papa defende que o acesso regular a alimentos seguros, adequados e suficientes
constitui direito humano fundamental e uma obrigação de justiça para os Estados e a comunidade
internacional.

Sob o lema “Inovar hoje para nutrir o amanhã”, a mensagem questiona um modelo de
inovação agrícola orientado exclusivamente para o lucro.

O pontífice alerta para os riscos de tecnologias que degradam os solos, afastam os agricultores
das suas terras e favorecem monopólios em detrimento da agricultura familiar.

O papa critica ainda a especulação nos mercados alimentares e a utilização dos bens
essenciais como instrumentos de pressão nos conflitos internacionais.

“O pão não é um instrumento de pressão geopolítica nem um ativo
financeiro volátil. Jamais deve ser usado como arma de guerra”, afirma.

“Chegou a hora da ousadia moral”, escreve, pedindo medidas concretas
para combater a fome e proteger as populações mais vulneráveis.

 

Fonte: Agência Brasil