O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou 15 pessoas investigadas por envolvimento no golpe do falso advogado que causou um prejuízo de R$ 1.971.826 a uma idosa de 80 anos. Os suspeitos foram alvos de uma operação da Polícia Civil do Paraná (PCPR), realizada no dia 8 de outubro, em três cidades do Ceará.
A denúncia foi apresentada pela 4ª Promotoria de Justiça de Prevenção e Persecução Criminal de Curitiba. Conforme o MPPR, a vítima foi enganada por pessoas que se apresentavam como advogados e representantes do setor jurídico do Banco Central do Brasil e da Caixa Econômica Federal.
Os golpistas afirmavam que a idosa teria direito a receber R$ 7 milhões de um suposto crédito judicial relacionado ao marido falecido. Para liberar o valor, exigiam pagamentos antecipados de falsas custas processuais.
Por meio de mensagens de WhatsApp e chamadas de vídeo, os envolvidos teriam convencido a vítima a realizar diversas transferências bancárias, que totalizaram quase R$ 2 milhões.
Operação no Ceará
No dia 8 de outubro, equipes da Polícia Civil do Paraná se deslocaram ao Ceará para cumprir 32 mandados judiciais contra o grupo investigado.
A operação teve como alvos endereços em Fortaleza, Maracanaú e Eusébio. Foram expedidos 15 mandados de prisão temporária e 17 de busca e apreensão.
A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 2.098.322,06 em contas bancárias e aplicações financeiras vinculadas aos investigados.
Durante a investigação, a PCPR identificou 15 pessoas que teriam participado da movimentação dos valores. Desse total, 11 foram apontadas como beneficiárias primárias, por receberem diretamente o dinheiro da vítima, enquanto outras quatro teriam recebido recursos transferidos pelo primeiro grupo.
Segundo a polícia, os valores eram rapidamente distribuídos entre diferentes contas bancárias para dificultar o rastreamento.
Em uma das movimentações identificadas, R$ 30,6 mil enviados pela idosa foram transferidos integralmente para outra conta no mesmo dia. Após a operação, restaram apenas R$ 0,01 na conta que recebeu inicialmente o dinheiro.
Ministério Público pede prisão preventiva
Com o oferecimento da denúncia, o MPPR solicitou à Justiça a conversão das prisões temporárias dos 15 acusados em preventivas.
O pedido considera a gravidade dos fatos investigados, a movimentação financeira utilizada para ocultar os recursos e a atuação interestadual do grupo.
A Promotoria também requereu a manutenção das medidas de bloqueio patrimonial já autorizadas, com o objetivo de assegurar uma possível reparação dos prejuízos sofridos pela idosa.
Além disso, o Ministério Público pediu a abertura de um novo inquérito policial para identificar os responsáveis pelo planejamento do golpe e pelas conversas mantidas diretamente com a vítima.
OAB Paraná alerta que golpes continuam
Após a operação policial, a presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB Paraná, Bárbara Ferrassioli, destacou que a prisão de investigados representa um avanço no combate às fraudes, mas não significa o fim dessa modalidade criminosa.
“O golpe do falso advogado não acabou. Ele continua”, alertou.
Segundo Bárbara, a OAB mantém contato frequente com a Delegacia de Estelionatos e com a Polícia Civil para compartilhar denúncias e identificar novas estratégias utilizadas pelos criminosos.
A prática envolve o uso indevido de nomes de advogados, informações de processos judiciais e referências a instituições públicas para transmitir credibilidade às abordagens.
A orientação é que pessoas que recebam pedidos de pagamento para liberação de valores judiciais confirmem a informação diretamente com o advogado responsável, utilizando canais de contato previamente conhecidos.
Os 15 denunciados responderão às acusações conforme o andamento do processo judicial. A apresentação da denúncia não representa condenação.
Fonte: Catve









